Sozinho em minha casa eu falo com as paredes.
O que reverbera são apenas os ecos de muitas vozes que aqui estiveram.
Abro a janela para entrar o vento frio da madrugada.
Gela-me a espinha e me faz sentir algo.
É a busca infindável de qualquer coisa que me faça sentir um pouco vivo.
Minha sanidade se vai a cada lufada quente do meu pulmão.
A respiração se torna um vapor quente saindo de minha boca.
Cada vez mais solitário eu vou vivendo e aprendendo.
Ganhando e perdendo.
É o ponto perigoso onde estar sem ninguém por perto se torna bom.
Até cômodo.
Uma música toca e me sinto tocado.
Tocado por mãos invisíveis que não pertencem a ninguém.
Levanto e começo a dançar e cantar.
Sem ninguém para ver ou avaliar.
Gosto muito e sinto um prazeroso deleite na cena triste.
Apesar de o momento ser mórbido eu não estou triste.
Estou apenas me deixando levar pelo nada.
Deixando-me acreditar no desconhecido.
As vozes de amigos ecoam na minha cabeça.
Sem companhias eu procuro de onde estão vindo.
E percebo que vêm de lugar nenhum.
É apenas minha mente se fazendo companheira.
Ajudando-me recuperar o que resta do meu juízo.
Toco uma nota no violão já sem cordas.
E escuto um acorde obscuro que não existe.
O telefone toca.
Vou atender e percebo que ele está do meu lado.
Sem fazer barulho algum.
Minha imaginação prega peças e deixa pistas.
Assim é o meu passatempo.
Procurando indícios de coisas que aconteceram.
Mas que no fundo eu sei que não.
Na verdade eu nem me importo com o que é realidade ou ilusão.
Apenas me deixo levar pelo bater de meu coração.
"ODE" À SOLIDÃO
Postado por Kim Brito às 02:31
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1 comentários:
O frio é o abrigo dos solitários
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