O louco por trás disso

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Esse é um local reservado aos pensamentos do meu dia a dia. Todos, que como eu, pensam para querer viver, são bem vindos para comentar criticar ou apenas debater algo que sentiram ao ler o que escrevi. "Viva pelo prazer! Nada envelhece tão bem quanto a felicidade!" (Oscar Wilde)

Eu também passo por aqui

GUARDADO A SETE CHAVES

Uma multidão de pessoas nos cerca.
Encarando todos os olhos, procuro seu reflexo.
Seu semblante é apenas uma sombra incerta.
Num turbilhão de pensamentos desconexos.

Nesse fuzuê, você parece inatingível.
Mas tenho a esperança que vou chegar.
Um tiro oblíquo passará invisível.
A minha flecha de paixão vai te acertar.

E quando acontecer, vou ver o seu desfalecer.
O arfar da brisa silenciosa vai te ludibriar.
Revelando que um dia vou te pertencer.

A surpresa do que guardei, vai te fazer tremer.
Algo tão intenso, que eu não saberia explicar.
E que no fim,espero, findará com o seu sofrer.

NAVEGADOR MORIBUNDO



O oceano se abriu.
No meio dele me encontro divisando dois lados.
Para trás eu posso ver uma terra que governei.
A segurança de já ter desbravado aquele lugar me conforta.

Em minha frente eu diviso o nada.
Um infinito tanque de água.
Mil caminhos e possibilidades.
Que podem ser boas ou ruins.

No meio disso tudo, estou eu.
Cansado da mesmice do antigo e com medo do que não aconteceu.
Avaliando as opções continuo sem saber.
Se vou ficar ou vou me perder.

Tenho apenas três opções nesse momento.
Voltar e nunca descobrir o que poderia ter sido.
Ir em frente e poder, ou não, atracar em um lugar mais seguro.
Ou simplesmente esperar o mar baixar e me levar.

SER OU NÃO SER?

O reconhecimento nunca pode vir de você mesmo.
Só se é bom quando as pessoas conseguem perceber.
E não adianta você se esforçar para parecer bom.
Tem quer vir naturalmente.

Você só percebe que é realmente bom quando é despretensioso.
Quando tudo o que você faz é parte de um todo.
Um todo do qual você faz parte.
E não um todo que você se encontra na frente de outros.

'INFUNDIOSO' PARADOXAL

O mundo está cheio de mentirosos.
Há vários tipos deles ao meu redor.
Mas de todos, eu me enquadro no pior tipo.
Sou aquele que inventa mentiras para si mesmo.

Crio qualidade em pessoas cheias de defeitos.
Vejo bondade em pessoas que são más.
Enxergo esperança em causas perdidas
E quero tão bem quem me quer tão mal.

Ofereço ajuda quando não sou necessário.
E imagino, sempre, estar fazendo a coisa certa.
Vou enganando a mim mesmo antes que outros o façam.
Mas não consigo evitar não ser usado por ninguém.

Crio qualidades, quando só tenho defeitos.
Vejo bondade, quando só tenho maldade.
Enxergo esperança, quando já estou desacreditado.
E, agora, quero mal quem não me quer bem.

ESPERO, DESEJO, PROCURO E TENTO

Espero...
Uma heroína que vai me tirar daqui.
Desejo...
Alguém que vai conseguir me entender.
Procuro...
Um minuto de paz comigo mesmo.
Tento...
Acreditar que ainda posso amar.

Espero...
Que a próxima seja verdadeira.
Desejo...
Que a minha paz não dependa de terceiros.
Procuro...
Uma cabeça que me compreenda e retribua.
Tento...
Acreditar que alguém virá para me amolecer.

Espero...
Uma força para derrubar minhas paredes.
Desejo...
Alguém para juntar meus cacos.
Procuro...
Uma parte de mim que se foi.
Tento...
Acreditar que tenho muito para oferecer.

Espero...
Que não tenha me tornado uma fortaleza impenetrável.
Desejo...
Poder retribuir o amor que o novo me trará.
Procuro...
Não pensar no velho para não estragar o que está por vir.
Tento...
Redescobrir-me para desbravar o mundo quando estiver pronto.

"ODE" À SOLIDÃO

Sozinho em minha casa eu falo com as paredes.
O que reverbera são apenas os ecos de muitas vozes que aqui estiveram.
Abro a janela para entrar o vento frio da madrugada.
Gela-me a espinha e me faz sentir algo.
É a busca infindável de qualquer coisa que me faça sentir um pouco vivo.
Minha sanidade se vai a cada lufada quente do meu pulmão.
A respiração se torna um vapor quente saindo de minha boca.
Cada vez mais solitário eu vou vivendo e aprendendo.
Ganhando e perdendo.
É o ponto perigoso onde estar sem ninguém por perto se torna bom.
Até cômodo.
Uma música toca e me sinto tocado.
Tocado por mãos invisíveis que não pertencem a ninguém.
Levanto e começo a dançar e cantar.
Sem ninguém para ver ou avaliar.
Gosto muito e sinto um prazeroso deleite na cena triste.
Apesar de o momento ser mórbido eu não estou triste.
Estou apenas me deixando levar pelo nada.
Deixando-me acreditar no desconhecido.
As vozes de amigos ecoam na minha cabeça.
Sem companhias eu procuro de onde estão vindo.
E percebo que vêm de lugar nenhum.
É apenas minha mente se fazendo companheira.
Ajudando-me recuperar o que resta do meu juízo.
Toco uma nota no violão já sem cordas.
E escuto um acorde obscuro que não existe.
O telefone toca.
Vou atender e percebo que ele está do meu lado.
Sem fazer barulho algum.
Minha imaginação prega peças e deixa pistas.
Assim é o meu passatempo.
Procurando indícios de coisas que aconteceram.
Mas que no fundo eu sei que não.
Na verdade eu nem me importo com o que é realidade ou ilusão.
Apenas me deixo levar pelo bater de meu coração.

SOTURNO (RESPOSTA A "FLAMA")

Os olhares noturnos são paradoxalmente os mais analíticos e sonhadores de todos. Resguarda no seu segredo e obscuridade a esperança e as surpresas do que virá.
Quantos sonhadores noturnos existem?
Talvez um; dois. Quem sabe?
Sei que sou um deles e me perco e me encontro a cada vez que confronto um novo turno.
Assim, com pensamentos pecaminosos, livro-me dos mais soturnos desejos que um ser carnal pode ter e vivenciar.
Sou eu pecador? Mesmo sem cometer o pecado, mas pensando nele mesmo o tempo todo?
Essa talvez ninguém possa responder, mas é o que me faz continuar a sonhar e viver.

Resposta a "Flama" de Nátália Rodrigues

CHEGOU A HORA

E quando me estenderes a mão em busca de ajuda
Poderei dissimular minha felicidade,
Alegar incompetência
E dormir o sono dos Justos.
Envydust - Chegou a hora