Quando colocadas frente a frente, as duas ideologias (e ideologias é tudo o que elas serão) não conseguem coexistir em harmonia, ou seja, é impossível ter vontades sendo racional.
Ser racional envolve sempre abrir mão de suas vontades e partir para uma linha de pensamento sempre altruísta e, geralmente, autodestrutiva. Por outro lado, ser impulsivo e fazer tudo o que se tem vontade é um ato certamente egoísta, e que sempre acaba por machucar alguém, ou a si mesmo.
Ambas as coisas podem ser boas e ruins. Mas se levarmos em conta que viver é buscar algo o tempo todo, esse viver está, sempre, ligado às vontades. Já para aqueles que imaginam que viver é um ato de ser, de estar ou de existir; a racionalização do pensamento é a saída mais segura de alcançar esse objetivo.
A minha guerra pessoal é, e será, escolher qual aspecto guiará meu tempo nesse mundo. Os senhores leitores, que são analíticos, como eu, provavelmente dirão: Algumas situações pedem a racionalidade enquanto outras pedem apenas satisfação plena de suas vontades.
Esses pensamentos levantam algumas questões paradoxais que têm milhões de respostas. Por exemplo: O que é felicidade? O que é ser? O que é estar? O que é existir? O que é vontade?
As respostas seriam infinitas e eu escreveria um livro sobre elas se decidisse responde-las, portanto tudo o que eu posso fazer é terminar com mais perguntas, que não me levarão a lugar nenhum (e nem a quem tiver paciência de ler essas palavras confusas que vos escrevo).
É melhor viver na razão e chorar pelo que não fez? Ainda que as vontades suprimidas sejam coisas que trarão alguma conseqüência ruim?
Ou seria melhor viver satisfazendo suas vontades? Mesmo sabendo que no fim o resultado será, de alguma forma, negativo?
Permito-me escolher, pelo menos nesse momento em que vos escrevo, satisfazer minhas vontades e curiosidades. Sei das conseqüências e sei dos riscos. Ainda assim, prefiro viver sem saber o que me pode acontecer. Se fosse para viver na razão, que graça teria a diversão? Que graça teria as auto indulgências, tais quais, fumar um cigarro em um momento de devaneio? Construir um relacionamento com alguém que, em algum ponto, te fará sofrer? Trabalhar um mês inteiro para comprar algo supérfluo? etc.
Todas essas coisas que um dia me farão mal para o corpo me satisfazem o espírito. E essa é a realização plena de vida que levo comigo.
Se depois de ler tudo isso, os senhores me considerarem inconseqüente, lembrem-se que estou vivendo e que se minha vida acabasse amanhã, eu partiria feliz e muitos teriam ótimas coisas para falar ou lembrar-se de mim. Por isso vou viver tudo o que tenho vontade até o fim dos meus dias.
Prefiro queimar de uma vez ao invés de definhar lentamente.