O louco por trás disso

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Esse é um local reservado aos pensamentos do meu dia a dia. Todos, que como eu, pensam para querer viver, são bem vindos para comentar criticar ou apenas debater algo que sentiram ao ler o que escrevi. "Viva pelo prazer! Nada envelhece tão bem quanto a felicidade!" (Oscar Wilde)

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A VIDA NA PONTA DA VELA


Há de se pensar que a vela talvez seja a melhor metáfora que existe para a vida. A maioria das pessoas procura um sentido para a vida e uma razão para estar aqui e perguntam-se repetidamente: "De onde viemos? Para onde iremos?". Mas na verdade nós viemos do nada. Consequentemente quando morrermos iremos para o lugar de onde surgimos, nesse caso: O nada.

A vida, assim como a vela, queima, e outras semelhanças são incontestáveis. Qual o sentido da vela? Iluminar um determinado local; A vela tem capacidade de iluminar tudo? Não. Algumas até podem iluminar mais que outras; Qual é a única certeza que se tem ao ver uma vela acesa? A de que ela um dia vai derreter sua cera e seu pavio acabará.

E se pensarmos na vida?

Queimamos, porém somos limitados. Nem todos conseguem enxergar o nosso brilho e nem todos estão próximos o bastante para sentir nosso calor. O que acontece se alguém se aproxima muito da ponta da vela? A pessoa queima a mão. Com o ser humano não é diferente. Toda vez que se aproxima demais de alguém, o sujeito se queima e logo sai de perto para curar-se do trauma, mas assim que ele está curado sempre se pergunta se poderá aguentar aquela dor mais uma vez.

Olha-se se para vela e percebe-se como o fogo é bonito e misterioso. Assim como se olha para a essência de uma pessoa e a mesma sensação acomete quem prestar atenção. A cera derretida é a distância mais segura que se pode ficar de outro ser sem ter sérios problemas. A cera derretida entra em contato com a pele e logo se torna cera dura. Tem a sensação mais masoquista da dor. A dor rápida, prazerosa. Uma dor que não deixa cicatriz. Na síntese do sentido da vida humana a cera equipara-se as brigas insignificantes que temos, porém, são prazerosas porque nos fazem sentir um pouco mais vivos.

A vida sem discussão seria monótona. Temos uma existência muito curta para ficar tentando nos esquivar de todo o confronto direto com outras pessoas. Temos que nos arriscar para poder existir. A vida tem algum sentido? Não. Não existe tal coisa, portanto, não há necessidade de procurar por isso. Cada um tem que cuidar da sua existência. O objetivo do Ser-humano consciente é o mesmo objetivo de todos os mamíferos e de todas as espécies do mundo. Reprodução e sobrevivência. Mas, para o melhor ou para o pior, temos raciocínio lógico e essa expansão do cérebro nos faz querer sempre mais e acreditar sempre mais. A pessoa que achar que não tem um objetivo claro, será a pessoa mais infeliz do mundo. E desde que não temos nenhum objetivo na terra, temos que criar nossos próprios objetivos, criar o nosso próprio destino. Alguns acham isso na fé e nas crenças religiosas. Mas, na verdade, queremos acreditar em algo além de nossa compreensão para nos manter íntegros e bondosos.

Qual seria o futuro da espécie se não existisse arrependimento?

A crença no invisível e improvável é um artifício criado apenas para que a paz na terra possa prosperar. Nem todos têm esse nível de consciência, por isso as prisões estão lotadas em todo Brasil. Existem também aquelas pessoas que têm uma vela curta demais e querem queimá-las dos dois lados para brilhar um pouco mais e com um pouco mais de significado.

A pessoa que tem uma vela maior e mais grossa sempre caminha com cuidado para que sua vela não se apague antes do tempo. Mas esse perigo continua nos guiando pois faz que o sentido que cada um criou para sua vida valha a pena apenas por ter tentado fazer algo útil.

Todos os dias eu acordo e penso no meu objetivo do dia. Se consigo completá-lo, naquele dia a minha existência teve um significado. Mas, alguns dias são diferentes e eu não consigo dar a importância necessária para a minha própria vida. Nesses dias quando eu vou deitar eu apenas me preocupo se consegui fazer o bem para outras pessoas. Se consegui, me sinto bem e consigo acreditar que, mesmo sem muitas coisas importantes, minha existência foi relevante.

Assim como a vela, erramos em tentar manter aquela chama inicial. A chama forte e bonita que tem muito pavio para queimar pela frente. Quando nos prendemos àquela chama, paramos de crescer e esquecemos de toda cera que deixamos para trás Olhar os lugares onde deixamos nossas marcas faz bem para ter um parâmetro de tudo que fizemos. Como a vida, e a vela, é curta, não devemos repetir as mesmas experiências de vida. Mesmo que não sejam boas as outras alternativas, devemos preferir as experiências que nunca tivemos e, enquanto durar, devemos nos divertir naquele momento sem se preocupar demais ou exigir demais.

Depois que morremos, acredito que vamos para o nada. Mas se o corpo é energia e o pensamento é energia, temos um grande campo magnético na terra. Um grau diferenciado de energia coletiva que nos faz sentir quando alguém está perto, para alguns mais sensitivos, saber quando alguém pensa neles. Mas esse grau de consciência coletiva é o lugar que todos iremos após a morte. A nossa energia não dissipará. Mas também não vai para nenhum lugar espiritual ou divino. Vai agregar-se ao grande campo magnético formado por qualquer existência, seja animal ou vegetal.

Pensando nisso, preocupe-se em apenas deixar boas impressões de sua cera e evite deixar toda ela em apenas um lugar. Faça-se lembrado por muitos e dê boas lembranças para todos que ficarão aqui quando sua vela se apagar. Você só vivencia algumas experiências após a morte se você tem bons motivos para ser lembrado, assim, sempre que alguém se lembrar de algo bom que foi feito por você a sua energia sentirá a vibração daquele pensamento e você, ou sua consciência, que estará perdida no nada gigantesco da terra sentirá alguma coisa.

Cuide bem da sua vela.